• Gustavo Monnerat PhD

Gordura Corporal é tudo igual? Quais tipos existem?

Atualizado: 15 de Ago de 2020

Quase todo mundo que conheço quer perder uns quilinhos de gordura, até mesmo quem não precisa!


Mas antes de sair querendo perder toda a gordura, é importante entender da Fisiologia dela!


Primeiro, como ela formada? Muitos pensam que toda a gordura corporal vem da gordura da Dieta! Isso simplesmente não existe! Todo excesso de energia, seja do consumo de proteínas, carboidratos ou da própria gordura poderá ser estocado. Esse armazenamento geralmente ocorre no formato de Gordura! Mas porque não em músculo? Seria perfeito né? Sim, mas não seria tão eficiente do ponto de visto da Bioenergética, área que engloba a geração de energia no nosso organismo.


Nós tentamos estocar energia de modo que diante da falta de alimento, temos de onde tirar. Isso evolutivamente foi decisivo para nossa sobrevivência. Assim, o que sobra de energia é estocado. Conseguimos estocar uma quantidade muito pequena de energia na forma de carboidrato, o chamado glicogênio muscular ou hepático. Rendendo cerca de 2 a 2,5 mil calorias. O que daria para nos manter por apenas um dia. Além disso, precisamos acumular líquido junto com essas moléculas, o que acaba ocupando mais espaço. Já reparam como nosso corpo varia de peso rapidamente ao cortar carboidratos? Isso não é emagrecimento, somente perda de líquido que estava interagindo com glicogênio! Já nossos estoques de gordura ocupam muito menos espaço (proporcionalmente) e podem render uma quantidade muito maior de energia. Um indivíduo com peso na faixa de normalidade pode gerar cerca de 70 mil calorias com os estoques de gordura! O que daria para nos sustentar por cerca de 30 dias!!


Assim, o excesso de carboidratos, com ajuda da insulina pode ser estocado nas nossas células que formam o tecido adiposo na forma de gordura, os chamadas adipócitos. Mais precisamente os adipócitos brancos. Essas células ficam nas regiões clássicas, as chamadas gorduras localizadas, geralmente na região subcutânea. O perfil de acúmulo masculino e feminino são diferentes, mas ambos apresentam esse tipo de estoque. Existe ainda o acúmulo de gordura fora das regiões clássicas, que poderá ser dentro de órgãos, como no fígado, músculo e vísceras, a gordura viceral. Esse tipo de acúmulo de gordura é bastante preocupante e está associado à vários doenças Cardíacas e Metabólicas.


Exames de imagem mais moderno são capazes de avaliar esse tipo de acúmulo, sendo um importante indicativo do risco de doenças. O mais interessante é que mesmo indivíduos com baixo percentual de gordura podem apresentar certo acúmulo de gordura viceral. Como mostrado na imagem abaixo, mesmo um indivíduo apresentado um índice de massa corporal normal, pode apresentar uma quantidade significativa de gordura visceral (em vermelho) e pouco gordura subcutânea. Assim, mesmo sendo magro, você pode não estar isento de risco de doenças! Fique atento. Isso vai ser importante inclusive para qual tipo de treinamento e dieta fazer nessa pessoa, mas fica para um próximo texto.





Agora que já discutimos os tipos de acúmulo de gordura, existe ainda os diferentes tipos de células do tecido adiposo. Isso vai ser especialmente importante para o emagrecimento e para as respostas ao exercício!


Como falado anteriormente, o estoque e acúmulo de gordura ocorre nos adipócitos brancos. Eles tem esse nome porque de fato apresentam essa tonalidade se os avaliarmos em um microscópio. Isso se dá pela grande quantidade de lipídeos e pouca quantidade de mitocôndrias. Faz todo sentido fisiológico, guardar energia na forma de lipídeo e não a usar, então possuem poucas mitocôndrias que são as estruturas responsáveis por utilizar essa energia. Diante de estímulos hormonais, como a insulina, a síntese de lipídeos pode aumentar. Já diante de adrenalina, como durante atividades físicas intensas, por exemplo, o oposto pode ocorrer, processo chamado de lipólise. Assim, iremos quebrar as moléculas de gordura estocadas nos adipócitos e liberar para corrente sanguínea. Após a liberação para corrente sanguínea, nossos músculos poderão usar essas fontes de energia!


Agora, quais seriam os outros tipos de Gordura?


Surpreendentemente existem adipócitos que possuem um efeito oposto da células de gordura branca. Essas na realidade tem como efeito fisiológico principal queimar gordura! Essa queima de gordura tem como objetivo não gerar energia para contração como os músculos, mas sim gerar calor para manter a temperatura corporal! Como sabemos, nosso corpo precisa se manter dentro da faixa de temperatura ideal, ali próximo dos 36 graus. Caso exposto ao frio, precisamos gerar calor para nos mantermos aquecidos, a chamada termogênese. O mecanismo mais fácil de perceber é o tremor involuntário, quando a gente fica tremendo de frio. Esses tremores também vão gerar calor. Mas do ponto de vista metabólico e para emagrecimento, a oxidação de gordura pelos adipócitos seria o ideal, e não ficaríamos tremendo por aí.


De modo geral, o tecido adiposo que possui esse efeito fisiológico de queima de gordura é chamado de tecido adiposo marrom. Ele novamente foi nomeado de acordo com a tonalidade mais amarronzada do que o seu rival. Essa cor mais escura se dá pelo fato de termos mais mitocôndrias. Quanto mais mitocôndrias, mais escuro será o tecido e maior será sua capacidade de queimar gordura e gerar termogênese. Essa mitocôndrias ainda possuem uma tal de proteína chamada UCP-1, que favorece esse processo de geração de calor, de modo que desperdiça energia. Tipo um sonho para quem quer emagrecer. Mais recentemente foi descrito ainda o tecido adiposo bege, que seria algo próximo ao meio termo, entre presença de lipídeos e mitocôndrias. O mais interessante disso tudo é que diante de alguns estímulos hormonais e através de peptídeos, fatores e citadinas, algumas células podem se tornar em tecido adiposo bege, aumentando a expressão de mitocôndrias, UCP-1 e gerando mais termogênese, o que ajuda muito no controle metabólico e controle de peso corporal! Na figura abaixo podemos observar esses três tipos de células do tecido adiposo.




Agora, como ativar essa estrutura para ter tais benefícios?


O frio é um dos principais estímulos. Assim, durante o inverno, se você não se encher de cobertas e casacos, aumentará a quantidade e atividade dessa estrutura. O exercício físico também é um importante estimulante do tecido adiposo marrom e bege, parece contrátidorio que o aumento do gasto calórico promovido pelo exercício estimule mais gasto calórico, não é mesmo? Mas a liberação de hormônios e peptídeos pelos músculos e fígado e também a interação do sistema imuno endócrino, podem atuar através de da Irisina por exemplo. Assim, podem estimular esse fenômeno, como apresentado na figura abaixo. Alguns outros fatores ainda podem influenciar, como o processo inflamatório, creatina dentre outras coisas. Tanto o consumo de alimentos contendo creatina, como a suplementação pode ajudar. Por outro lado, o uso de anti-inflamatórios pode prejudicar. Você pode estar pensando então em usar a crio-imersão pós treino poderia potencializar o efeito do frio e do exercício?! Isso até pode fazer sentido, mas no entanto não deve valer a pena pois pode inibir os ganhos do treinamento físico nas adaptações musculares. Assim, os efeitos podem ser diminuídos ao invés de potencializados.



Concluindo, nem toda gordura corporal vem da gordura da dieta. O excesso de calorias de carboidratos também pode ser transformado em gordura. Essa será estocada nos adipócitos, que dependendo de sua localização pode ser um problema muito maior do que estético, aumentando drasticamente o risco de doenças. Existem diferentes tipos de células de gordura, as quais podem estocar energia ou ajudar a queimá-las. A sinalização por alguns hormônios, citocinas e fatores podem ajudar na formação e ativação dessas estruturas, através de fatores de dieta, treinamento e exposição ao frio.


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